/01 · o desafio
o elo ausente da economia circular brasileira: efluentes líquidos complexos.
Chorume de aterros e vinhaça sucroenergética sem rota tecnológica viável travam as
metas do Planares, do Marco do Saneamento e da ENEC.
A cadeia brasileira de reciclagem e economia circular enfrenta, em seu elo mais crítico,
um gargalo estrutural que compromete o cumprimento da PNRS, do Planares, do Marco do
Saneamento e da ENEC: a ausência de tecnologias economicamente viáveis para o tratamento
de efluentes e resíduos líquidos complexos. Os aterros brasileiros geram aproximadamente
124 milhões de m³ de chorume por ano em 1.592 a 1.700 unidades, e o setor
sucroenergético gera entre 370 e 480 bilhões de litros anuais de vinhaça em mais de 400
usinas. Tratamentos convencionais operam com fouling severo, geram concentrados sem
destinação ou são limitados pela saturação de potássio do solo.
A Saneeco é uma empresa de base tecnológica brasileira em estágio early-stage que
desenvolve a tecnologia de Fracionamento Térmico a Vácuo (VTF),
atualmente em TRL 6 (validada em ambiente relevante). A VTF opera por
separação física em ambiente de vácuo, combinando calor moderado e pressão reduzida, com
consumo energético 30 a 50% menor que sistemas atmosféricos convencionais, reduzindo o
volume do concentrado final em até 98%. Gera três saídas de alto valor: água de reuso,
óleos leves recuperados para uso energético e concentrado mineral.
A tecnologia tem aplicação direta em 800 a 1.000 aterros de médio e grande porte com
demanda imediata por tratamento avançado, e em usinas sucroenergéticas com pressão
regulatória crescente sobre fertirrigação direta. Aplicações complementares em lama de
perfuração de petróleo, resíduos líquidos de mineração e efluentes industriais diversos
garantem sustentabilidade comercial da operação no médio e longo prazo, sem desviar o
foco LIR dos mercados prioritários de impacto.
!
por que lir como capital catalítico
Abaixo do TRL 6, a tecnologia não tem validação suficiente para suportar investment
case. Acima do TRL 8, acessa capital de mercado sem necessidade de blended finance.
O estágio early-stage da Saneeco é o momento de maior eficiência marginal do
investimento público: ao combinar Esteira de Bancabilidade com Eixo Tecnológico
Paralelo, o capital catalítico LIR eleva a plataforma de TRL 6 para TRL 7 e 8 durante
a vigência do projeto, condição necessária para destravar uma operação de R$ 15
milhões em blended finance.
O recurso LIR não financia a empresa. Financia a resolução de um gargalo
sistêmico, tendo a Saneeco como veículo operacional, com externalidades
estruturadas para cooperativas de catadores, MPEs do saneamento descentralizado e
municípios impactados.
Na frente de negócios de impacto, a Maré atua como Project Preparation Facility (PPF).
Nesta edição, aplica a metodologia a um único negócio âncora previamente identificado
como crítico. Em 5 meses, a Maré entrega a Saneeco com dossiê de originação, modelo
financeiro auditável, dossiê de impacto com monitoramento e verificação, contratos de
integração cooperada formalizados, plano de licenciamento social para MPEs e pacote
completo de investment readiness para mobilizar a operação de blended finance de R$ 15
milhões.